Fazia tempo que estava com vontade de ler a trilogia "Fronteiras do Universo", de Philip Pullman. Fiquei com mais vontade ainda depois que li sobre a biografia do autor e soube que alguns elementos da Lyra Belacqua (protagonista da série) foram inspirados em sua própria vida.
O primeiro livro da série, "A Bússola de Ouro", conta a estória de Lyra Belacqua, uma garota orfã que mora na Universidade de Oxford com seu tio Asriel. O universo do livro se passa num tempo não definido, que às vezes parece futurista, às vezes parece antigo/steampunk. Neste universo, cada pessoa tem um dimon, que é um companheiro animal que representa a alma daquela pessoa. Se o dimon morre, a pessoa portadora dele morre também.
Além disso, também existe o Pó, que são partículas dispersas pelo Universo. O Pó gera várias intrigas e facções, pois alguns acreditam que ele é benéfico e outros acreditam que ele é perigoso. Com isso, surge um Conselho Geral da Oblação, presidido pela Sra. Coulter, que defende que o Pó é maligno e que as crianças precisam ser separadas de seus dimons. Lyra perde dois amiguinhos para este Conselho e resolve ir atrás de resolver isso, numa viagem pelo mundo.
As semelhanças de Lyra com o autor, que mencionei no início, são o fato de ambos terem sido criados na Universidade de Oxford e de ambos terem viajado o mundo quando crianças.
O livro foi escrito em 1995, mas a adaptação para o cinema chegou somente em 2007. Nicole Kidman interpreta a Sra. Coulter, Daniel Craig interpreta Lord Asriel e Dakota Blue Richards como Lyra.
A principal diferença entre o livro e o filme, na minha opinião, é que o filme ficou mais focado nas aventuras de Lyra para reencontrar seus amigos perdidos e as crianças sequestradas, com menos foco da estória no universo da saga como um todo (o Pó, os dimons, as dimensões paralelas, etc).
Além disso ~ cuidado com o spoiler ~ os finais do livro e do filme são totalmente diferentes. Senti que, no filme, eles criaram um novo final, de forma que os outros dois livros da saga não precisassem ser adaptados para o cinema e o primeiro filme pudesse ficar completo. Já no livro, o final fica bastante aberto, pois há a continuação da trilogia, com o segundo volume chamado "A Faca Sutil".
Achei o final do livro muito surpreendente, e terminei de lê-lo com um misto de raiva e excitação. Já o final do filme, achei morno e um pouco óbvio.
O livro ou o filme? O livro.
Para ser honesta, não gostei muito do livro. A escrita do Pullman não me prendeu como eu imaginava e persisti na leitura, na verdade, motivada a descobrir sobre o Pó, a Aurora Boreal e as dimensões paralelas. Infelizmente, o livro terminou antes que tais assuntos fossem mais explorados, e ainda não decidi se lerei o segundo livro da saga.
Em relação ao filme, gostei mais da Lyra do livro. Neste último, ela é uma líder nata, consegue reunir homens, recursos e tempo para sua causa e mobiliza várias ferramentas e canais para este fim. Além disso, as descobertas de Lyra sobre seu pai e sua mãe acontecem no meio da estória (e não quase no final como no filme) e estas descobertas a motivam.
E, no livro, mesmo que as questões sobre o Pó e as universos paralelos tenham ficado em aberto, tais assuntos são explorados e explicados, assim como o dimon. Como o nível de detalhes foi maior, achei que o resultado final ficou melhor do que o filme.
Apesar de frustrada, é uma leitura que recomendo. Mas, se alguém assistir somente ao filme, sem ler o livro, também não considero tão ruim assim.







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