Katherine Mansfield é uma escritora da Nova Zelândia (difícil conhecermos escritores de lá, não?) e seu estilo de narrativa é de contos e pequenas crônicas. Katherine começou a escrever pois sentia-se só e entediada: era filha de um banqueiro e a alta-sociedade fazia-a se sentir alienada do resto do mundo.
Além da escrita, já mais velha, Katherine também abusou de álcool e relacionamentos, teve triângulos amorosos complicados, inclusive bissexuais, casando duas vezes e abortando mais algumas. Lembre-se: ela era de classe alta e da era vitoriana, ou seja, seu comportamento era muito transgressor para a época. Dentro deste cenário conturbado e de depressão e melancolia, ela conheceu quem? Virginia Woolf. (Ah, se inveja matasse!)
Comecei a ler Katherine Mansfield porque Virgínia disse que a escrita de Katherine era a única que ela invejava. De fato, a maneira de escrever, os temas e a estrutura das narrativas são muito parecidas entre ambas: sensíveis e cotidianas, ao mesmo tempo.
Suas obras foram reconhecidas e publicadas somente quando ela tinha 30 anos (ainda tenho esperança!) e estava com uma tuberculose hemorrágica gravíssima. Ela morreu cinco anos depois de ter conquistado o tão difícil sonho de ser uma escritora de renome.
& Obra
Em português, são poucos os contos dela que foram publicados. Grande parte de sua obra permanece apenas em inglês. No entanto, é possível encontrar alguns de seus contos aqui no Brasil.
Contos
Tenho este livro dela e minha recomendação é: comece a leitura pelos últimos contos, que são os melhores. Nos últimos contos, de quando ela já era mais velha e acometida pela tuberculose, sua escrita é mais precisa, mais poética e mais profunda.
Como os contos não tem qualquer relação entre si, não é necessário lê-los na ordem que se apresentam na compilação que foi feita pela CosacNaify.
Ao final do livro, inclusive, é possível encontrar algumas fotos dela, ainda antes de ser considerada uma grande escritora.
O Insustentável Peso da Solidão
Este livro é em português de Portugal, mas vale a pena, pois ele reúne os dois contos mais famosos de Katherine Mansfield: Prelúdio e Felicidade.
Sobre Prelúdio: é um conto que, às vezes, precisa ser relido. Ela apresenta diversos cenários e personagens em um espaço relativamente curto de tempo e de escrita (afinal, é um conto, não um romance) mas todos os detalhes entre cenários e personagens tem um sentido e uma relação. Ele foi escrito depois da morte do seu irmão e quando conheceu Virginia Woolf.
Sobre Felicidade: a personagem central, Bertha Young, está num estado de pura alegria e graça, e ela tenta explicar a si mesma porque está se sentindo assim, em meio à cenas do cotidiano e pequenos acontecimentos de sua vida doméstica. Me lembrou "Alegria Mansa", de Clarice Lispector, que mencionei aqui.
Bônus: O conto Felicidade pode ser lido online, aqui.
Para ver os escritores dos meses anteriores, clique aqui.







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