E, um ano depois, o {desafio das cartas} chega ao fim. Tudo começou quando vi a idéia no Paperia de enviar uma carta por mês, pelo Correio e à moda antiga, a pessoas importantes. Porém, adaptei esta idéia ao Perplexidade e Silêncio e, assim, as cartas tornaram-se textos e os temas variaram todo mês, escolhidos por mim.
12/12 - Uma carta de despedida
Detesto dar adeus.
Um adeus comporta em si mesmo tanto vazio: os lugares que não visitaremos juntos, as piadas internas que ficarão esquecidas, os planos jogados no lixo do banheiro, as fotos encarceradas em uma caixinha no fundo do armário. E fato é que não sei lidar com vazios, eles ecoam dentro dos meus próprios buracos e me machucam ainda mais.
Detesto fins.
Mesmo aqueles que eu escolho. Mesmo aqueles que sei que fazem bem a mim. Detesto todos eles.
Detesto despedidas.
Qualquer coisa que eu diga soa ridícula e melodramática, qualquer lágrima que escorra parece atriz de novela, qualquer abraço que é dado nunca é longo nem quente o suficiente. Nada preenche aquela lacuna - da pessoa, da situação, da época, de mim mesma - que está indo embora.
Esta carta poderia ser um grande e mudo papel em branco.
Talvez, no silêncio das coisas partidas, fique mais fácil expressar um sentimento tão melancólico como a certeza de um nunca mais.
Esta carta será um bilhete, uma nota, um recado: não sei dizer adeus.
Prefiro que termine sem fim.
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Todas as cartas do Desafio podem ser lidas aqui:
1/12 - Uma carta de sonhadora
4/12 - Uma carta de agradecimento
5/12 - Uma carta a um desconhecido
6/12 - Uma carta de saudade
7/12 - Uma carta de revolução
8/12 - Uma carta de desabafo
9/12 - Uma carta para a infância
10/12 - Uma carta de amor
11/12 - Uma carta de perdão



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