Faz alguns anos que venho pesquisando diversas formas de publicar meus livros. Além dos textos que escrevo aqui, tenho sete livros escritos e um em andamento. Poucas pessoas leram meus livros, pois sempre fui bastante reservada em relação ao que eles continham - me sentia exposta e vulnerável sabendo que outros conheciam conteúdos meus. Junto com a superação desta timidez, veio o amadurecimento de como seria minha estréia no mercado editorial, tão difícil de entrar e de permanecer.
Aos poucos, fui descartando os métodos tradicionais de publicação de livros, por diversos motivos. Também fui registrando as minhas obras na Biblioteca Nacional, para que meus direitos autorais ficassem seguros. E foi então que me deparei com o Clube de Autores, um site destinado a ajudar escritores em início de carreira a terem suas obras no mercado.
Para nós, escritores, a publicação é gratuita, e a renda vem dos direitos autorais dos livros vendidos. Como o objetivo não é ganhar dinheiro, os escritores recebem uma quantia que varia de R$ 5 a R$ 10 por exemplar vendido. O Clube dos Autores tem parceria com as seguintes livrarias:
Assim, agora tenho meu primeiro livro publicado! (:
Para dar este pontapé inicial, escolhi o primeiro livro que escrevi, chamado De-formação, de 2006. Falei um pouco sobre ele neste post. Na época que o escrevi, com 21 anos, eu era uma pessoa diferente do que sou hoje: era mais escura e mais difícil e, consequentemente, os textos são assim também.
Escolhi um trecho do livro e espero que desperte em vocês a vontade de ler mais:
Solto
" Toc-toc-toc...escuto uns barulhinhos dentro de mim...o que seria isso? uns barulhinhos pequenininhos, como se fossem bolinhas rolando, rolando, rolando. Acho que eu tenho umas bolinhas dentro de mim então? Cada dia que passa descubro uma coisa nova! e essa agora! e esse toc-toc-toc irritante ressoando no oco do meu corpo, ecoando no oco do meu corpo, louco corpo sem fundamento, cheio de bolinhas!
Olho ao meu redor e não absorvo nada do que ocorre, não absorvo ninguém. Como se eu fosse totalmente alheia a tudo que possivelmente acontece do lado de fora – digo possivelmente porque não sei se ocorre de verdade, quem me garante o que é real e o que não é se duvidarei que quem está me garantindo é real? Como se fossem provar a alguém que escuta bolinhas! Só apreendo as folhas secas que estão sob meus pés, folhas esturricadas de viver (estarão elas a morrer?), folhas tão bonitas que estalam, pipocam, crepitam quando as piso. De um marrom tão amarelado – poderiam ser roxas, seria mais bonito. E combinariam com minhas bolinhas – então, além de fazerem barulho, também têm cor? Todo o resto que não seja estas folhas secas não me interessa, estas pessoas secas em suas vidas secas e seus corpos secos, nenhuma gotinha de sangue, nenhuma!
O toc-toc-toc continua ao fundo, enquanto duvido de tudo que existe se existe mesmo. Não confio na percepção – percebo coisas que ninguém mais atinge e, pelo outro não perceber, estas coisas deixariam de ser percebidas? E também não confio na sensação – sinto bolinhas correndo em mim como se eu fosse um chão de madeira, sinto um sangue que ferve e borbulha (será que evapora?) e só eu sinto, e pelo outro não sentir, estas coisas deixariam de ser sentidas? É tudo tão errado, todos são errados, por isso escolho folhas secas: elas escutam estúpidas o que digo, humanamente estúpidas, mas sua estupidez tem razão de ser porque ela é somente uma folha na velhice, no fim de sua vida. Não vai me dizer que estou errada. "
Se alguém quiser comprá-lo, a sinopse do livro e o preço dele vocês podem conferir aqui.



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