*Trilha sonora do post: Forgotten Sky - First Aid Kit*
http://grooveshark.com/#!/s/Forgotten+Sky/2z4Rhd?src=5
Quando o tempo passa, a vida acaba, a paixão esfria e os caminhos seguem, quem é o último a sair e apagar a luz? Sempre tem alguém que ouve tudo até o fim, escreve as conclusões, faz da dor uma linda poesia, ao mesmo tempo em que checa se as janelas estão fechadas e bate a porta, joga a chave fora, e tenta não pensar no vazio que ficou ali.
Mas acredito que são felizes aqueles que se despedem com meias palavras, frases incompletas, deixando atrás de si uma vírgula e não um ponto final. Da vírgula sempre há mais história, e há aqueles que preferem acreditar que podem enganchar sentimentos como quem pendura roupas no armário. O sofrimento vem com a mesma intensidade que vai embora, e os términos nem machucam tanto assim. Invejo esse desprendimento das incertezas da vida porque, ao contrário, sou apegada nos compromissos que crio nas minhas fantasias.
Quando a pagina vira, a explicação é muda e o coração é surdo, sou quem tira a poeira dos móveis, desencosta recordações que vão para o lixo, troco as roupas de cama e começo uma nova vida. Às vezes, preciso atear fogo em uma foto ou duas para sentir que o ritual de reinício da montagem da minha história realmente começou. Desligo o gás, tiro os fios das tomadas, deixo tudo em ordem: faço uma mala pequena, somente com o necessário, e vou reconstruir os pedaços de um coração partido.
Quem é que devolve o brilho das estrelas quando elas parecem apáticas? Quem é que restitui ao céu a magia de ser de noite, ter Lua, Vênus dizer olá de vez em quando? Quem pode colocar, no meu chá morno da tarde, um pouco de cor e de constelação?
Demora um tempo (longo e de inverno) mas sempre chega alguém: quem encontra o pedaço de céu que perdeu-se pelo caminho. Quando o sorriso murcha e a alma encolhe, sempre tem alguém que ri como criança, brinca dentro da imaginação e da impossibilidade das coisas, escolhe a roupa mais colorida, o vaso de flores mais romântico, o travesseiro mais macio.
Aquele tipo de pessoa que entra em casa, redecora como bem entende e invade teu espaço com amor e carinho. Espalha corações, livros e lápis de cor. Aumenta o volume da música e devolve a vontade de comer doce. Elas são raras, mas - nossa! - como é bom saber que elas existem.
Sempre tem alguém que te traz chá de estrelas com biscoitos para o café da tarde.
E joga conversa fora como se não houvesse fins no mundo.




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