*Trilha sonora do post: Map of the Problematique - Muse*
Everybody has: 1. A dream - 2. A fear - 3. Something that was lost or broken - 4. Something to love.
De muitas frases que leio ao longo do dia, uma ou outra gruda em mim com mais força, e fica perambulando pela periferia de mim até que eu resolva parar para vê-la de mais perto. Algumas, como esta acima, me fazem bem: me fazem entender melhor os outros, e alcançar aqueles pedaços que os olhos não vêem e - na maioria das vezes - ninguém quer que seja visto.
Gosto de pensar que carregamos nossa história como se fosse uma bagagem: algumas malas são mais leves e alguém se prontifica a carregá-las para você; algumas são pesadas e desconfortáveis e preferimos carregar sozinhos; e algumas são tão inconvenientes que preferimos jogar em algum rio que apareça pelo caminho. Mas todos nós temos: uma mala para o sonho, uma para o medo, uma para o que perdemos na vida e uma para o que amamos.
Minha mala do medo estou tentando jogar em algum rio. Não a quero mais, ela me impede de seguir em frente: é grande e sem rodinhas, tenho que arrastá-la com dificuldade pelos cantos e, vez ou outra, colocá-la nas minhas costas, quando então sinto todo o peso de todos os meus medos. Me faz pequena e paralisada. Não cheira bem. Não é agradável aos olhos. E não serve para nada, nada além de tornar meu coração acinzentado e mesquinho.
A mala onde está aquilo que perdi, ou aquilo que está quebrado em mim, é minúscula, e quando você a abre, não há nada lá: pois eu mesma não sei o que é. Toda minha vida, e principalmente toda minha escrita, é a busca por este conteúdo, a descoberta do que perdi pelo caminho, o que de mim ficou pelo mundo que me faz falta mas não identifico. Esta mala, apesar de pequena, sinto que estará comigo para sempre. Esse pedaço que falta faz parte de mim mais do que os pedaços que já possuo.
A minha mala do amor é elástica - se comprime e se expande à medida que as pessoas entram e saem da minha vida. Aqui dentro guardo memórias, lembranças, palavras, fotos, perfumes, lugares e afinidades. Esta mala torço para que seja a mais pesada de todas, pois quando a abro e contemplo, é quando sinto que minha vida vale a pena. Apesar de.
Mas a minha mala mais bonita é a do sonho. Nela guardo nuvens, estrelas, unicórnios, flores e luzes. Ali estão meus sorrisos de quando eu era criança e ainda não havia enxergado a tragédia do mundo. Ali estão as possibilidades impossíveis e os mundos que construí para mim mesma. Ali estão todas as versões de mim que gosto. Ali está toda a magia que não existe do lado de fora.
Quando a vida fica difícil, é essa mala que eu abro: dela nunca me livrarei.
Minha mala com meu pedacinho de insanidade é o que me mantém sã.
Então, eu completaria a frase que originalmente li:
Everybody has: 1. A dream - 2. A fear - 3. Something that was lost or broken - 4. Something to love - 5. A delicious and fantastic madness.



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